Uma vida devotada ao Carnaval
Dos seus 71 anos, 50 foram dedicados ao frevo, a partir da gravação da música "Além de mim"
Marina Mahmood/Folha de Pernambuco
Ao lado da musicista Fátima de Castro - parceira não apenas na vida (são casados), mas também na arte -, Bráulio utiliza seu trabalho de compositor como ferramenta para construir carnavais. Através das músicas que compõem, os dois contribuem para alimentar a tradição de ritmos como o frevo (entre frevos-canções, de bloco e de rua), que parece ter, no Estado onde nasceu, validade apenas nos dias de folia.
Um exemplo recente da parceria do casal é "Lá vem a Ceroula", canção que ganhou o 1º lugar na categoria Frevo-Canção no Festival do Frevo da Humanidade 2013-2014, com arranjo de Edson Rodrigues e interpretação de Nonô Germano. Ainda mais recente é a canção "Cadê Perrê", composta por Bráulio e Walmir Chagas, mas defendida por Fátima, na semana passada, no Festival Abraça Brasil. Não deu outra: a canção foi contemplada com o 1º lugar na categoria Caboclinho.
Apesar dos prêmios que acumula na carreira, Bráulio acredita que, assim como outros compositores de frevo, carece de espaço no Carnaval pernambucano. "Você vê pessoas que não tem nada a ver com o Carnaval tendo um espaço que não temos. Acho que sou um dos poucos compositores de frevo que continuam produzindo. Já são mais de 350 músicas gravadas e outras tantas inéditas. Gostaria de ter um lugar para poder gravar parte delas", criticou o artista.
Marina Mahmood/Folha de Pernambuco
Bráulio tentou seguir carreira artística em São Paulo, entre o anos 1960 e 80, mas não foi bem-sucedido. Não conseguia largar completamente as profissões "oficiais" - bancário e funcionário de uma agência de seguros - para entregar-se à música ("Era muito arriscado fazer isso".). Sua estada paulista, no entanto, foi essencial para que ele desenvolvesse parcerias com nomes notáveis da música brasileira, como Wilson Simonal (que gravou "30 dinheiros") e Jair Rodrigues ("Porta é pra bater").
As composições de Bráulio também foram cantadas por Noite Ilustrada ("Veneza Brasileira", "A profecia"), Demônios da Garoa ("Violão e viola"), "Tô como o diabo gosta" (Inezita Barroso), Caju e Castanha ("A mulher do corno rico e a do corno pobre") e Flávio José ("Eu sou o forró"). A longa lista ainda inclui Fafá de Belém ("Meu bombom"), Alcione ("Desafio"), Conjunto Talismã ("Cadê Adoniran"), Claudionor Germano ("Dá licença, Recife") e Flávio José, com o hit "Eu sou o forró".
Torcedor apaixonado pelo Santa Cruz, Bráulio já escreveu várias músicas e produziu até um CD para o time pernambucano. Intitulado "O veneno da Cobra Coral”, o disco reúne canções que enaltecem o time. Nos últimos meses, vários veículos da imprensa noticiaram o samba "Caça-Rato na Seleção", um apelo musical de Bráulio para que o técnico da Seleção de Futebol Brasileira, Luiz Felipe Scolari, escalasse o jogador Caça-Rato, do Santinha, para representar o País na Copa do Mundo. "Até agora não houve resposta de Felipão", brincou.
RÁDIO FOLHA - Bráulio de Castro participará nesta quinta (27), às 16h, do programa "Jota Ferreira Agora", na Rádio Folha (96.7 FM).
PRÊMIOS - Entre os prêmios conquistados, está o 1º lugar no Festival Frevança, com a música "Maracatu Quilombo", interpretada pela cantora Matilde.
GRAVAÇÕES - Os sambas "Herói sou eu" e "A malandragem entrou em greve" fizeram sucessos com os Originais do Samba, e “A vida é pra cantar", com Wilson Simonal.
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