Eu disse: YouTube lança canais pagos no Brasil e mais nove países


YouTube lança canais pagos no Brasil e mais nove países

TERRA 11/05/2013 04h00
 
O site de vídeos YouTube, do Google, começou nesta quinta-feira um serviço de acesso mediante assinatura junto a criadores de conteúdo selecionados do programa de parceria. O maior site de vídeos do mundo agora permite que criadores estabeleçam taxas de acesso e aceitem anúncios, tudo à escolha deles, para os canais que criarem. Na estreia, o Brasil tem 53 canais com opção de assinaturas.
ade média será de US$ 2,99, e os canais também têm a liberdade de oferecer pacotes anuais com desconto. Os canais com assintaura paga passam a ter o símbolo do cifrão ao lado da inscrição 'assine', no respectivo botão.
O novo serviço por assinatura estará disponível em 10 países no lançamento, embora o YouTube não especifique quais. Nesta quinta, para usuários brasileiros, é possível comprar o conteúdo dos canais Baby First PLUS, Big Think Mentor, BIGSTAR Movies, Cars.TV, Comedy.TV, ES.TV, Fix My Hog (Harley), GayDirect, Gravitas Movies, Guys Night In, Here TV Premium, iAmplify Fitness, iAmplify Yoga, JusticeCentral.TV, Laugh Factory VIP, MyDestination.TV, National Geographic Kids, Personal Defense Network Premium Channel, Pets.TV, PGA Digital Golf Academy, PhotoGuide+ Digital Photography Instruction, Qello, Real Wisdom TV, Recipe.TV, SmartTV.com, SportskoolPlus, TNA Wrestling PLUS, TYTplus e Woodworkers Guild of America Premium Channel.
O YouTube tem falado publicamente sobre sua intenção de realizar testes com canais pagos, e não tem escondido seu interesse em ser um grande participante no segmento de conteúdo de qualidade. Em março, o YouTube disse em seu blog que tem mais de 1 bilhão de visitantes únicos por mês.


Canais por Assinatura no YouTube: Tudo que você sempre pediu e dificilmente vai querer

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A Internet é legal, mas ela rende mais estalecas e bitcoins do que dinheiro de verdade, ao menos para os produtores de conteúdo, e isso é um problema sério. Muita gente boa está sendo seduzida pela Vênus Platinada e até suas irmãs menores e feiosas, A audiência da Internet é muito dispersa, mesmo uma Sky da vida com 150 canais (sei lá, não contei) é fichinha perto de um YouTube, com centenas de milhares, talvez milhões de canais. Lembre-se, todo mundo é um canal.
O YouTube sabe disso e investiu US$200 milhões fomentando vloggers e celebridades para produzirem conteúdo para uma rede própria, YouTube Original Channels. Os canais chegaram a receber investimentos de US$5 milhões, o que até faz sentido, afinal se é pra entrar no negócio, melhor entrar pela porta da frente.
Como resultado, um ano depois 60% dos canais não foram renovados. A audiência simplesmente não apareceu. Produção de qualidade é um fator importante mas não único. O YouTube tentou brincar de TV na mídia mais antagônica à TV que existe, a Internet.
Na Era de Prata da Internet eu defendia que não tínhamos concorrentes, todos éramos amigos, havia espaço para todo mundo. Hoje dá pra ser mais realista: Disputamos a atenção, o tempo do Leitor. Isso que ele tem de mais precioso. Em se tratando de vídeo, onde é essencial dedicar atenção integral ao conteúdo, é pior ainda.
De olho no conteúdo premium, o YouTube resolveu –dizem fontes seguras do Financial Times- criar um modelo de assinatura de canais, a parir de US$1,99. Isso geraria uma renda excelente para os produtores de conteúdo, mesmo o Google ficando com 45% da assinatura. Um canal como oParafernalha, com 2,6 milhões de assinantes, se conseguisse 5% de pagantes mesmo após a parte do leão de Mountain View receberia limpos US$ 470 mil por mês.
Mesmo um canal pequeno como o Flat Head Society, com 60 mil assinantes, aplicando-se a regra dos 5% acima renderia US$ 6.751,97, ou CAD$ 6.766,82 pra facilitar a vida do sujeito.
Legal, vamos todos abrir vlogs, certo?
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Errado. Esse valor de 5% de assinantes foi tirado de –você não quer saber-. O número real provavelmente será muito, muito inferior a isso. A Internet tem a cultura do gratuito, sites de notícias com paywalls sabem bem disso.
O curioso é que nós vivemos repetindo que odiamos o modelo da TV por assinatura que nos oferece pacotes fechados quando tudo que queríamos são canais isolados, mas na hora de calcular quanto pagaríamos por cada um, dividimos o custo da assinatura pelo número de canais.
Não funciona assim. Um GNT, uma HBO nem em sonho vale o mesmo que o Canal do Chapéu,TLC ou NHK. Mesmo assim ela ilusão comunista de que todo mundo é igual é convenientemente mantida na hora de achar que R$5, R$2 ou até R$1 por um canal é caro demais.

“Ah mas o canal de verdade fica no ar o tempo todo, o de Internet não”

Verdade, mas quanto tempo por dia, por semana você passa em cada canal? No Discovery vejo basicamente Pesca Mortal e Mythbusters. De vez em quando Águias da Cidade. Na Band me resumo ao Agora é Tarde. Os programas em teoria entram com um inédito por semana (menos o AeT) e reprisam os mesmos episódios 3 vezes ao dia. Não é programação 24h, são 3 blocos de 8 horas.
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Alugando séries individualmente no iTunes, o custo será muito mais caro. Modern Family sai a US$1,99 por episódio. Assinatura para a temporada inteira, US$ 39,99.
Obviamente um canal do YouTube não terá a estrutura de um canal de TV, mas você estará pagando por conteúdo que efetivamente assiste, Um canal como o Machinima tem conteúdo de sobra para preencher mais tempo do que seu médico considera razoável que você fique diante do computador.
Fazendo a conta do uso efetivo, faz sentido o modelo de assinatura do YouTube, mas ele nos faz pensar nas coisas que entubamos ao assinar um pacote tradicional. Achamos que o modelo novo é caro –o que é mentira- sem perceber que o modelo antigo nos cobra pelo conteúdo que queremos e justifica o valor com o que não queremos. 500 canais, SKY, e daí, se não quero rádio pagode gospel?
Cortar o cabo é muito complicado. Ninguém quer pagar pra ver. O conteúdo premium é excelente mas do ponto de vista psicológico temos toneladas de conteúdo semelhante fornecido gratuitamente. Usamos a mesma argumentação das operadoras de cabo, não consideramos válido o valor de US$1,99 por um canal do YouTube quando há tantos canais gratuitos disponíveis.
É uma clássica situação Tostines, “é assim porque é assim” e isso só vai mudar quando um evento disruptor ocorrer, e esse evento não é a simples criação de um canal pago.

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