Fotos e Vídeo: Milton Nascimento em Recife-PE 05/04/2013

Fotos e Vídeo: Milton Nascimento em Recife-PE 05/04/2013:

Em PE, Milton Nascimento emociona ao lado de Wagner Tiso e Lô Borges

No repertório, incluiu obras de Vinícius, Tom, Samuel Rosa e Nando Reis.

Pernambucano Zé Manoel abriu o show com apresentação encantadora.



Milton Nascimento em show no Recife (Foto: Divulgação/Paulo Uchôa)






Antes de ser uma gentileza, trata-se de uma demonstração de respeito ao outro a pontualidade, virtude que a maior parte do público pernambucano não tem. Como a educação é um processo que demanda tempo, continuaremos sendo incomodados pelos atrasados que chegam falando alto, sem saber onde vão sentar e, claro, com cara de abusados para evitar que alguém se manifeste. Perde o artista, perdemos nós que cumprimos horário e, ontem, perderam os retardatários que foram ao Teatro Guararapes, em Olinda. É que eles não puderam aproveitar a apresentação de Zé Manoel, que abriu a noite. Quarenta minutos foram suficientes para este pernambucano de Petrolina encantar a plateia. Vários ritmos em um repertório curto, com apenas nove canções: "Dizem", "Fantasia", "Samba tem", "Sol das lavadeiras", "Obaluae", "Valsa da ilusão", "Samba manco", "Saraivadas de felicidade" e uma versão em inglês de "Sabiá". Já estou esperando a próxima apresentação.



Dona Eufrásia, com a neta, realizou um sonho

(Foto: Marjones Pinheiro/TV Globo)







Depois de um rápido intervalo, chegou o momento de dona Eufrásia realizar um sonho: ver Milton Nascimento cantar. Aos 83 anos, ela nem esperava mais que isso pudesse acontecer, mas a vida é caprichosa. A neta Daniele Botelho, que cresceu vendo a avó ouvir os discos do cantor mineiro, resolveu fazer uma surpresa. “Sempre quis fazer isto, mas não tinha condições de pagar. Desta vez, foi diferente. Entrei na fila para comprar os ingressos e pedi ao meu noivo para ir buscá-la em casa, no Janga, Paulista, aqui na Região Metropolitana”, disse a professora de inglês. No teatro, Dona Eufrásia quase não acreditou. Durante todo o show, ela segurou a mão da neta, emocionada. Voltou para casa sem saber direito o que dizer. A mim só conseguiu dizer que “foi lindo, muito mais do que havia imaginado. Ouvir o Milton cantar 'Travessia' me trouxe muitas lembranças boas do passado”.



“Uma travessia” é o nome do espetáculo que Milton Nascimento apresentou dentro da série Clássicos da MPB. Duas horas que passaram assim... Voando. Para os fãs, nenhuma surpresa. Já para aqueles que conheciam só uma coisa ou outra do artista foi a confirmação de que ele, de fato, é um dos melhores representantes da música brasileira. Sabe aquele vozeirão que muitos conheceram ainda com os LPs?! Não é feito de estúdio, é de verdade mesmo. E como emociona! Como é afinado e generoso conosco, com seus músicos e consigo mesmo, considerando o andar frágil e algumas limitações impostas pelo tempo. Milton cantou, dançou com o amigo Lô Borges e sentou-se ao lado do piano de outro amigo para ouvi-lo tocar. Wagner Tiso nos presenteou com um lindo arranjo para a música "Eu sei que vou te amar".



O repertório trouxe canções de alguns compositores a exemplo de Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Samuel Rosa e Nando Reis, mas a maioria foi composta por Milton e alguns de seus amigos do Clube da Esquina, movimento musical criado por artistas mineiros no fim da década de 1960, na cidade de Belo Horizonte. Destaque para duas homenagens feitas por Milton. “Nos bailes da vida”, àqueles que, a exemplo dele, cantaram nos bares e a instrumental “Lilia”, uma homenagem à mãe. De modo geral, as músicas que falam de “coisas bonitas que eu acredito que não deixaram de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor” encantaram a plateia formada por várias gerações. Adolescentes, idosos, solteiros e casais ficaram até o fim quando ele cantou Maria, Maria. No bis, outros sucessos: "Canção da América", "Coração de Estudante" e "Travessia", que lhe rendeu o prêmio de melhor intérprete no Festival Internacional da Canção em 1967.

José Barbosa lembrou do tempo em que tocava em bares

(Foto: Marjones Pinheiro/TV Globo)



Após o espetáculo, o ator José Barbosa, que interpreta Jesus na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, entrou na fila para falar com Milton Nascimento. O ator disse que “vê-lo cantar é voltar à cidade de Limoeiro no tempo em que eu tocava em bares. Lembrei muita coisa boa. Queria que meus amigos daquele tempo estivessem aqui comigo. E que o Milton também fazia, tocava nos bares da vida”. E é nós bares da vida que a gente espera continuar encontrando o Milton até que ele nos dê a alegria de voltar a Pernambuco.

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