Júri absolve Bola de assassinato de carcereiro em 2000, em Contagem



Júri absolve Bola de assassinato de carcereiro em 2000, 



em Contagem


Julgamento de Marcos Aparecido dos Santos durou três dias.
Ele também é réu no processo sobre desparecimento de Eliza Samudio.


Após três dias de julgamento, Bola comemora absolvição (Foto: Pedro Cunha/G1)
Após três dias de julgamento, Bola comemora absolvição (Foto: Pedro Cunha/G1)
Após três dias de julgamento, Marcos Aparecido dos Santos - o Bola - foi absolvido no processo sobre a morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, em maio de 2000, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por quatro votos a dois, os jurados decidiram que o ex-policial não era culpado pelo assassinato. Após o anúncio da sentença, Bola celebrou o resultado com os advogados e com a família. Já o promotor do caso, Henry Wagner Vasconcelos de Castro, disse que vai recorrer da decisão.  No próximo dia 19, o ex-policial, o goleiro Bruno Fernandes e mais três vão a júri popular pela morte e pelo desaparecimento de Eliza Samudio.

Bola deixou a sala do Tribunal do Júri de Contagem sem falar com os jornalistas. Em seguida, de acordo com os advogados, foi levado para o presídio onde está detido, em São Joaquim de Bicas, também na Grande BH.

Após a decisão, o defensor Ércio Quaresma disse que acredita que o seu cliente seja absolvido também no processo do caso Eliza Samudio. “O que nós verificamos hoje é que o conselho de sentença de Contagem não se curva a sensacionalismo, a programas baratos. Ele [o júri] se atém à prova, ele é justo, ele prolata decisões que vêm de acordo com a prova do processo”, disse Quaresma.

Para o advogado, a absolvição não vai influenciar no julgamento do dia 19. “Qualquer sorte de resultado neste processo [morte de Novelo] não interfere no outro [processo do caso Eliza]. Cada processo tem a sua particularidade”, afirmou o defensor de Bola.

Middian Kelly dos Santos, filha de Marcos Aparecido dos Santos, disse que a família está muito contente. “Nós estamos muitos felizes. E nós agradecemos a Deus, primeiramente, e depois aos três advogados que graças a Deus levou de uma maneira correta e com a verdade. Eu acredito que Deus ainda vai continuar nessa batalha que a gente ainda tem que enfrentar”, afirmou a filha de Bola, chorando, após a decisão.
Julgamento
A juíza Marixa Fabiane Rodrigues, responsável pelo processo sobre o desparecimento e morte de Eliza Samudio, presidiu julgamento, que durou cerca de 35 horas. Ao todo, seis testemunhas de defesa e acusação foram ouvidas. Durante os três dias, o julgamento movimentou o Fórum de Contagem, sobretudo nesta quarta-feira (7), quando houve debate entre a promotoria e a defesa.

O pronunciamento de Castro foi encerrado por volta das 11h20 com um pedido de Justiça em relação à morte do carcereiro. "Ele espreitou, emboscou e assassinou covardemente a vítima. A justiça é a condenação exemplar à altura do crime", pediu.
No início da sessão nesta manhã, o promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro caracterizou Bola como um “matador impiedoso e covarde” e afirmou que o carcereiro foi assassinado por motivo desconhecido num crime com “dinâmica própria de sujeitos que agem na pistolagem”. Segundo Castro, o réu tem características de um serial killer. O promotor citou o desaparecimento de Eliza Samudio, atribuindo a morte da modelo a Bola. “Ele matou na mão asfixiando Eliza Samudio. Incumbido de tal encargo pelos seus corréus, aqueles que a imprensa tanto mostra, o goleiro Bruno, anti-herói, falso ídolo, e o Macarrão”, disse.

Na sequência, o advogado Ércio Quaresma deu início ao pronunciamento da defesa e pediu que Bola se sentasse de frente para os jurados. Segundo Quaresma, não há provas nos autos para condenar Bola pela morte do carcereiro. Ainda segundo ele, a irmã da vítima que teria reconhecido o matador e procurado a polícia não estava na cena do crime.
O advogado mostrou o retrato-falado do suspeito e alegou que as características descritas na ocorrência policial não condizem com as de Bola. O advogado Fernando Magalhães, que integra a defesa, também falou durante a sessão e disse que a vítima tem uma extensa ficha criminal.
Após intervalo, a sessão foi retomada por volta das 14h20, dando continuidade ao debate entre promotoria e defesa.
Interrogatório do réu e depoimento de testemunhas
Nesta terça-feira (6), Bola foi interrogado e declarou que é alvo de perseguições e que por isso estaria sendo acusado de matar o carcereiro. "Fizeram de mim um monstro", disse o ex-policial que, durante o depoimento, chorou e teve que ser medicado. No próximo dia 19, o ex-policial, o goleiro Bruno Fernandes e outras três pessoas vão a júri popular pela morte e desaparecimento da modelo Eliza Samudio.
Questionado pela juíza, Marcos Aparecido dos Santos disse que não é o assassino e que tampouco conhecia a vítima. “Jamais tirei a vida de ninguém”, declarou o ex-policial. Bola disse, ainda, que é acusado pelo assassinato de Novelo, por uma inimizade que teria com o delegado Edson Moreira, um dos responsáveis pelas investigações do caso Eliza. Por estar na condição de testemunha e reservado em uma sala, o delegado não pôde se pronunciar a respeito das declarações do réu.
Também no segundo dia de júri foram ouvidas três testemunhas de defesa, incluindo o delegado Edson Moreira, responsável pelas investigações do desaparecimento da ex-namorada do goleiro Bruno e que na época era chefe do Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte. Na data, a juíza Marixa negou o pedido de adiamento do júri apresentado pela defesa do réu.
Antes de responder a qualquer pergunta, Edson Moreira, primeira testemunha a depor, disse à juíza que o réu e os advogados de Bola estão sendo investigados por crime de calúnia. Eles teriam acusado o delegado de corrupção, conforme Moreira. Já a defesa declarou que o delegado interferiu nas apurações do assassinato de Novelo. Edson Moreira disse, ainda, que Bola é um "matador experiente", com características de um “serial killer”.
O julgamento de Bola começou na manhã desta segunda-feira (5). A juíza negou o pedido de adiamento do júri apresentado pela defesa do réu e ouviu testemunhas de acusação. A primeira testemunha foi um homem que estava presente no dia do assassinato de Novelo. Mário Radesca relatou detalhes daquele dia, como a roupa que o assassino vestia, além de responder perguntas do promotor e da defesa do réu.As declarações de Radesca duraram cerca de uma hora e meia.
André Matozinhos, amigo da vítima, foi a segunda testemunha a depor. Matozinhos disse que era amigo de Novelo há mais de 20 anos. Os dois chegaram a ter um comércio juntos, conforme declarou. A testemunha também respondeu questões feitas pela promotoria e pelos advogados de Bola.
No primeiro dia do julgamento, o delegado Edson Moreira se apresentou para prestar depoimento, o que gerou impasse de mais de uma hora. A defesa do ex-policial convocou o delegado para responder a perguntas sobre a condução dos trabalhos de apuração sobre o desaparecimento da modelo.
Os advogados de Bola estariam insatisfeitos porque informações sobre o caso Eliza foram anexadas aos autos do processo sobre a morte do carcereiro. Após votação dos jurados, ficou decidido que Edson Moreira não falaria sobre as investigações.

Ainda na segunda-feira (5), uma ex-namorada da vítima prestou depoimento

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