João da Costa desabafa:


"Falaram tão mal... Talvez nem queiram meu apoio", 

Prefeito avisa que decidirá seu futuro após ouvir militantes e aliados e lança ironia ao ser indagado se apoiará Humberto

Publicado em 06/06/2012, às 00h21

Joana Rozowykwiat

 / Foto: Rogério Cassimiro/JC Imagem

Foto: Rogério Cassimiro/JC Imagem

Ao deixar a sede do PT nacional, em São Paulo, depois da cúpula ter retirado seu nome da eleição do Recife, o prefeito João da Costa disse que se sentia indignado e triste com a decisão da direção nacional. Reforçando o discurso que o coloca na condição de vítima, ele insistiu que a decisão foi antidemocrática e contrária ao desejo da maioria do partido. Questionado se entrará com algum recurso, afirmou que só decidirá qualquer coisa após conversa com a militância. O aliado Fernando Ferro, porém, defendeu que o prefeito entre com recursos em todas as instâncias possíveis. No fim da entrevista, antes de sair a pé na chuva, atrás de um táxi, João da Costa não poupou acidez ao responder se apoiará Humberto. “Não sei nem se ele quer o meu apoio”. Abaixo, a entrevista:
A REUNIÃO"Rui Falcão me chamou na sala dele, minutos antes da reunião, e me comunicou que, pelo sentimento dele como presidente, a decisão tomada seria pela intervenção e homologação da candidatura de Humberto Costa. Antes da reunião começar, eu pedi uma questão de ordem para dizer que não fazia sentido, que era desnecessário participar de uma reunião que já tinha uma decisão prévia tomada. Comuniquei isso e saí.”
À MILITÂNCIA“Queria dizer a todos os companheiros que estão no Recife, em vigília, que a base do partido foi vitoriosa. Nós vencemos as prévias. A decisão da Executiva é política e vai contra a maioria do partido, que se expressou através das prévias. A luta política continua, em outros termos, em outras frentes.”
JUSTIFICATIVA“A decisão da Executiva nacional, novamente sem argumentos que me convencesse, é de que a candidatura tinha fragilidades, ao contrário do que constatamos em pesquisas e nas ruas. Nas pesquisas encomendadas nos últimos dez dias, eu cresci em todas, estou com 33%, 36%, com a avaliação do governo em alta. Então é contraditória a afirmação de que a gente não teria competitividade eleitoral.”
INDIGNADO“A gente está, eu não diria que contente, porque hoje, de certa forma, estamos, todos nós que militamos no partido há muito tempo, tristes e indignados de saber que a decisão da base do partido, em um processo de prévias, foi cancelado, numa decisão que vai contra a democracia e a maioria do partido. O partido escolhe caminhos, cabe à militância avaliar se são corretos.”
RECORRE?“Não vamos decidir nada aqui. Vamos voltar para o Recife, sentar com os companheiros, com tranquilidade e serenidade, como fizemos até agora, para avaliar os caminhos que vamos tomar.”
DEIXA O PT?“O partido tomou uma decisão e esta não é uma opção que está colocada. Vou conversar com os companheiros, como fizemos em todas as decisões. Não tenho tomado decisão individual, discuto coletivamente e decido de forma colegiada.”
PAGAR O PREÇO"Cada um faz uma avaliação política e se responsabiliza por ela. Pode dar certo ou pode dar errado. Cada um que tome uma decisão, vai pagar o preço. Não cabe avaliar o que é justo ou injusto.”
“Nas pesquisas encomendadas nos últimos dez dias, eu cresci em todas, estou com 33%, 36%, com a avaliação do governo em alta. Então é contraditória a afirmação de que a gente não teria competitividade eleitoral
”

HUMBERTO“Essa é uma decisão diferente, a partir de uma intervenção. E vai ser tomada coletivamente. Não estou dizendo que vou apoiar ou não. Essa é uma situação inusitada no Brasil e na história do PT. Um prefeito em exercício, com aprovação crescente, primeiro lugar nas pesquisas, que participou de prévias, ganhou, eles anularam, eu decidi participar de outra, me submeti às instâncias, e a nacional decide intervir e nomeia outro candidato. É uma situação nova, que cabe avaliar.”
INDESEJADOHoje, não sei nem se Humberto quer o meu apoio, porque depois desse processo todo, em que se falou tão mal do governo, do prefeito, lançaram até manifesto em que dizem que eu fraudei, que eu fiz isso, fiz aquilo, sou centralizador, não gosto de diálogo. Talvez nem precisem do meu apoio, talvez vá dar prejuízo à eleição se eu apoiar.” 


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