A unificação das políticas de privacidade do Google, que vale a partir desta quinta-feira (01/03), causa comoção entre usuários e autoridades: senadores norte-americanos, por exemplo, manifestaram-se contrários à decisão logo que ela foi anunciada, em 24 de janeiro último. Na avaliação de Maurício de Bonifácio, sócio da Vertis – integradora que produz soluções de e-commerce e se vale de técnicas de SEO para melhor posicionar seus clientes – existem cinco pontos aos quais os usuários devem ficar atentos com a novidade.
Bonifácio se diz usuário assíduo dos produtos do Google: além de utilizar o Gmail, se vale do Maps para identificar caminhos e tráfego, possui um smartphone Android (o sistema operacional do Google), assiste a vídeos no YouTube, possui uma conta no Google+ e utiliza, claro, a ferramenta de buscas, que consagrou a companhia como gigante da internet. “Não pago um centavo por isso. Para mim, quanto melhor ele prestar os serviços, melhor”, adicionou.
Pontudo, ele concordou que todas as informações os usuários podem ser utilizadas de forma negativa e prejudicial. O lema “Don’t be evil”, adotado pela companhia para posicionar-se a utilização dos dados dos usuários de forma negativa, pode sim ser abandonado no futuro, alertou. E as pessoas têm de estar preparadas para isso e ficar atentas a quais informações concede. “Ninguém me obriga a usar o Google. Eu posso parar a hora que quiser”, disse.
Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que a companhia se comprometeu a não coletar dados adicionais com a unificação da Política de Privacidade. O que será feito é a interligação dessas informações para que os resultados e experiência do usuário através dos diferentes produtos da marca sejam mais direcionados. O gigante de buscas já tem todas as informações, a diferença é que, agora, ele está colocando tudo na mesma “caixinha”, o que, teoricamente, otimiza os resultados da interação do internauta com seus produtos.
Vamos aos pontos citados por Bonifácio:
- Publicidade direcionada: sabendo quais os hábitos da pessoa, é muito mais fácil direcionar publicidade sobre aquilo que é relevante e necessário para ela. Se a pessoa busca informações sobre jardinagem, por exemplo, provavelmente está mais inclinada a comprar itens ligados à atividade do que outra pessoa. Esse conhecimento gera uma intermediação do Google entre comprador e vendedor, o que, teoricamente, auxilia os dois lados.
- O lado negro da informação: caso um usuário comece a buscar informações sobre determinado tipo de câncer, assistir a vídeos no Youtube com depoimentos de pessoas que superaram a doença, buscar contatos e comunidades de outras pessoas que já tenham sofrido com o problema, o Google pode concluir que existe alguma chance de aquele internauta, ou alguém de sua família, estar doente. “Se o Google ‘vende’ essa informação para meu plano de saúde, por exemplo, eu posso ser penalizado na hora que for renovar o meu contrato com eles, por ter mais risco de estar com a doença”, exemplificou Bonifácio. Em uma postagem de blog, o gigante de buscas reforçou seu posicionamento de que os dados por ele coletados não seriam de forma alguma vendidos. Mas caso o posicionamento mude futuramente, a riqueza de informações e a exposição de seus usuários é maior do que podemos imaginar.
- Ele não é o único: apesar de a marca possuir mais produtos do que outras companhias, não é apenas para o Google que concedemos informações pessoais. O Facebook, por exemplo, concentra um grande dossiê de quem é cada um. Ele sabe quem é o marido, namorado, esposa, enfim, do usuário. Sabe com quem ele se relaciona, para onde vai e com quem. Sabe o que ele gosta de compartilhar com os amigos. Sabe seus temas de interesse. Suas reações. Consegue identificar se o dia dele está bom ou não. É um sucesso que as redes sociais do Google – o Orkut e o Google+ – não conseguiram obter. Então, não é somente o Google que deve ser avaliado no quesito concessão de informações.
- Android mais assertivo: dados do Gartner colocam o sistema operacional móvel Android como principal do mundo, ficando com cerca de metade dos dispositivos do globo. Cerca de 850 mil aparelhos com a plataforma são ativados diariamente. Com o comportamento do usuário unificado e a Política de Privacidade integrada, o sistema operacional tende a tornar-se ainda mais assertivo, o que pode estimular, além de tudo, sua popularidade. Fica mais fácil se valer de produtos que já conheçam seus contatos e seus hábitos. “Isso facilita a vida”, pontuou o executivo.
- Sempre é possível parar: além de desativar a unificação de coleta de informações, conforme explicado pelo Google, o usuário pode, sempre, deixar de utilizar os serviços da marca. É possível trocar o sistema de buscas, a plataforma do smartphone ou do tablet, o e-mail, a rede social, entre outros. “Se virar um problema para você, pare de usar”, aconselhou.
Domínio do Google
Em entrevista concedida recentemente ao IT Web,o criador do Google AdSense (programa de gerenciamento de anúncios relevantes), Jeffrey M. Stibel, foi taxativo: há coisas imensamente ruins que o podem ser feitas com o controle de dados do usuário.
“Este é o verdadeiro Big Brother [uma alusão ao livro 1984, escrito por George Orwell em 1949, que fala sobre uma sociedade fiscalizada pelo ser onipresente Grande Irmão] nos olhando. Mas não é apenas o Google. Há uma série de companhias nos vigiando e este é o novo mundo em que vivemos. E as pessoas deveriam ter muito cuidado ao falar sobre isso. É tanto uma grande oportunidade quanto uma grande preocupação. Se for usado pelo bem, é uma tremenda vantagem ter tantos dados. Mas se for usado para o mal [risadas], há coisas tremendas que você pode fazer que são extremamente destrutivas com tantos dados nas mãos”, alertara.
E completou: “o Google quer dominar o mundo? Quer. Ele vai? Não”. Veremos
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