BRT (Recife) começa a funcionar para a Copa 2014 | BomJardimPE.com

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Novidade na Copa, BRT é opção com melhor custo-benefício até a Arena PE

G1 testou acesso de metrô, do Aeroporto, e de táxi, saindo da Zona Norte.
Turistas e moradores elogiaram novo sistema de transporte.

Alexandre Morais, Débora Soares e Luna MarkmanDo G1 PE
BRT é aprovado em novo teste de acesso à Arena Pernambuco, no primeiro jogo da Copa do Mundo (Foto: Luna Markman / G1)BRT é aprovado em novo teste de acesso à Arena Pernambuco, no primeiro jogo da Copa do Mundo (Foto: Luna Markman / G1)
O transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla em inglês) mostrou ser a opção com melhor custo-benefício para os torcedores chegarem à Arena Pernambuco, neste sábado (14), no primeiro jogo da Copa do Mundo no estado -- a disputa entre Costa do Marfim e Japão. A viagem entre o Terminal Integrado da PE-15, em Olinda, ao estádio, em São Lourenço da Mata, ambas cidades do GrandeRecife, distantes cerca de 27,5 km, foi feita em 1h15, seguindo por vias expressas, com apenas uma troca de coletivo. O bilhete de ida e volta custou R$ 5. A viagem foi classificada como tranquila e confortável pelos usuários. O BRT, assim como os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste não estavam prontos ano passado, durante a Copa das Confederações, quando o metrô foi bastante criticado por não atender à demanda de torcedores que seguiam para o estádio.
De táxi, a reportagem levou 1h20 do Shopping Plaza, em Casa Forte, na Zona Norte do Recife, até o estádio. Do centro de compras ao Terminal Integrado de Passageiros (TIP), também conhecido como Rodoviária, a viagem foi feita em cerca de 40 minutos e custou R$ 48. Não havia trânsito. Do TIP, é possível comprar uma pulseira especial, por R$ 5,90, que dá acesso ao metrô. O trem foi até a Estação Cosme e Damião, onde os passageiros desembarcam e pegam um coletivo até um ponto localizado a um quilômetro do estádio, caminho a ser vencido a pé.
Também testado pela reportagem, o trajeto de metrô foi o mais longo, levando aproximadamente duas horas, ao custo de R$ 8,05, ida e volta. A viagem foi iniciada na estação Aeroporto, na Zona Sul da capital, com baldeação na estação Joana Bezerra, no Centro, e destino final na estação Cosme Damião, onde também houve embarque no transfer. O terminal Cosme Damião foi o alvo das críticas durante a Copa das Confederações por ser pequeno para atender à demanda de passageiros em dias de jogos na Arena.
BRT é aprovado em novo teste de acesso à Arena Pernambuco, no primeiro jogo da Copa do Mundo (Foto: Arte / G1)
BRT aprovado por torcedores
G1 partiu do Terminal Integrado da PE-15, em Olinda, para testar o esquema do transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla em inglês). São ônibus novos, sanfonados, com ar-condicionado, que pegam vias expressas na Região Metropolitana do Recife (RMR). Em 1h15, o coletivo chegou a uma das paradas dentro da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, distante cerca de 27,5 km. Para quem saiu da Avenida Guararapes, na área central do Recife, a viagem foi ainda mais curta, 50 minutos. O bilhete de ida e volta custou R$ 5.
O BRT saiu às 18h do TI da PE-15, seguindo pelo Corredor Norte-Sul, com 13 torcedores, entre eles um grupo de japoneses. "Estamos no Recife há dois dias e está sendo ótimo, adoramos carne de sol e charque. Sobre o ônibus, achei bom, limpo, só que os assentos de plástico, menos resistentes dos que vemos no Japão", disse Satoshi Alcazawa. O motorista Leandro Alves comentou sobre o novo veículo. "Mais confortável, tudo automatizado, coisa de primeiro mundo", definiu.
Em 20 minutos, o BRT chegou à estação montada na Avenida Guararapes, no bairro de São Antônio, Centro do Recife, vindo pela Cruz Cabugá, Ponte do Limoeiro, Cais do Apolo e Ponte Maurício de Nassau - caminho diferente do que deve ser feito na operação normal. Não havia trânsito. O pernambucano Paulo Filho aprovou. "A minha mulher levava duas horas de Paulista até o Derby, por isso compramos um carro. Acho que quando funcionar para valer, em dias normais, vai dar até para deixar o carro em casa", disse.
Os passageiros precisaram desembarcar na Guararapes e entrar em outro BRT, que já estava com quase todos os assentos ocupados. Às 18h25, o BRT partiu para a próxima estação, no Derby, também no Centro, onde mais gente embarcou no transporte. "A parada estava climatizada e consegui pegar um lugar para sentar. Acho que este é o transporte com melhor custo-benefício, porque é o mais barato e você não precisa trocar nada, como ir de metrô, que ainda pega um circular para a Arena", opinou a torcedora Bianca Régis.
Seguindo pelo corredor Leste-Oeste, que corta a Avenida Caxangá, na Zona Oeste, o BRT chegou às 19h15 num ponto a 500m da entrada da Arena Pernambuco. "A parada [no Derby] estava um pouco cheia, e olhe que eu saí quatro horas antes do jogo, mas a viagem foi agradável", disse o torcedor Paulo Dias. "Mesmo se não fossem ônibus novos ou o estádio novo, não faria diferença, iria me divertir do mesmo jeito. É Copa e o povo brasileiro é ótimo, nos ajudam bastante", disse o neozeolandês Biz Boyle.
G1 aguardou passageiros que vieram em viagens posteriores, e os comentários também foram positivos. Alguns apontaram, inclusive, que as paradas estavam menos lotadas. De acordo com a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), foram disponibilizados 46 BRTs. "A viagem foi tranquila, só achei o motorista meio lento", disse Jaqueline Araújo. "Eu só esperei dez minutos no Derby e vim sentada, sem passar calor nenhum", acrescentou Nely Barros. "Esperei 15 minutos, um tempo razoável, e foi bom não ter que trocar de transporte, você não se perde nem confunde", comentou Fernando Peixoto.
Fila de torcedores para entrar na Arena Pernambuco (Foto: Luna Markman / G1)Houve torcedores que se queixaram de demora para entrar na Arena Pernambuco, mas retenção maior era nos guichês dos detectores de metais. O fluxo de pessoas se movia com rapidez (Foto: Luna Markman / G1)
Dezessete estações e duas de viagem no metrô
A reportagem também se misturou aos torcedores para testar o funcionamento do metrô no primeiro jogo da Copa na Arena Pernambuco. O trajeto até o estádio teve início no Aeroporto Internacional do Recife, Zona Sul, e foi concluído em cerca de duas horas. Do terminal aéreo, é possível acessar o transporte ferroviário por uma passarela elevada, inaugurada esta semana. O bilhete de entrada custa R$ 8,05 e dá direito a embarcar no terminal integrado metrô-ônibus. O ingresso inclui o trajeto de volta do estádio.
G1 chegou ao local por volta das 18h e enfrentou fila de 20 minutos até acessar o sistema. Uma das seis esteiras-rolantes instaladas na passarela estava desativada, assim como a escada-rolante. No entanto, não houve tumulto no acesso à plataforma de embarque do metrô. Partindo de lá, são 17 estações até o estádio (estação Cosme e Damião): Tancredo Neves, Shopping, Antônio Falcão, Imbiribeira, Largo da Paz, Joana Bezerra, Afogados, Ipiranga, Mangueira, Santa Luzia, Werneck, Barro, Tejipió, Coqueiral, Alto do Céu, Curado e Rodoviária.
A baldeação do metrô foi feita na estação Joana Bezerra, por volta das 19h. No local, havia funcionários do Ministério do Esporte orientando os torcedores e embarcar nas composições no sentido Camaragibe. Os trens estavam cheios, mas os passageiros conseguiam circular sem maiores dificuldades. O fato de o jogo ocorrer num sábado e e em um horário que não é considerado de pico facilitou a viagem.
Durante o trajeto, o metrô fez paradas com maior intervalo de tempo nas estações Barro, Tejipió e Coqueiral. Alguns torcedores estranharam a demora na partida das composições. "Eles abrem e fecham as portas, mas não saem. Estamos ansiosos para chegar ao estádio", comentou o universitário Paulo Nogueira, 24, que viajou de João Pessoa ao Recife para assistir ao jogo entre Costa do Marfim e Japão. No entanto, após sair da estação Coqueiral, o metrô retomou a velocidade, chegando à estação Cosme e Damião por volta das 19h45.
Diferentemente do que ocorreu no primeiro jogo da Copa das Confederações, em junho do ano passado, os passageiros não tiveram dificuldades para sair da estação Cosme e Damião. Uma rampa montada na área externa agilizou o desembarque e o acesso aos ônibus especiais, que deixaram os torcedores a menos de um quilômetro da Arena Pernambuco. O último trecho do percurso até o estádio foi feito caminhando: a reportagem chegou ao local por volta das 20h.
Aproximadamente às 21h, a assessoria do Metrô do Recife informou que pneus foram jogados nos trilhos, entre as estações Cosme e Damião e Rodoviária. Depois, os vândalos atearam fogo a esses pneus. O maquinista viu as chamas, parou o trem e acionou o sistema de segurança. A brigada de combate a incêndio foi chamada para conter o fogo. O incidente interrompeu o funcionamento do sistema, das 20h15 a 20h35. Tudo voltou a funcionar normalmente.
Táxi: trajeto mais caro e incompleto
O percurso de táxi até a Arena é o mais caro e quem optou pelo meio de transporte teve que usar metrô e ônibus também, já que os veículos não credenciados só podiam seguir até o Terminal Integrado de Passageiros (TIP), na BR-408. Do local, os torcedores pegavam o metrô até a Estação Cosme e Damião, onde embarcavam em um ônibus circular que os deixava a cerca de 1 km do estádio. No total, o percurso durou 1h20 e custou R$ 53,90, incluíndo a parte feita de táxi (R$ 48) e a pulseria que dava acesso ao metrô e ônibus, ida e volta (R$ 5,90).
Às 18h07, o G1 pegou um táxi no Shopping Plaza, em Casa Forte. Segundo o taxista, o movimento na região não mudou com a Copa do Mundo, pois não há muitas atrações para os turistas na Zona Norte. O veículo seguiu pela Avenida Dezessete de Agosto até a BR-101 e depois entrou na BR-232. A alça que liga as duas rodovias não tinha buracos, mas estava sem iluminação. O caminho se encontrava livre até o Comando Militar do Nordeste, onde o trânsito ficou mais intenso até a entrada da BR-408. Mesmo assim, não havia retenção e a chegada no TIP foi às 18h51.
Não havia muita sinalização no terminal, mas bastava seguir o fluxo para encontrar o guichê onde era possível adiquirir as pulseiras. Além disso, voluntários e funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) estavam espalhados e auxiliavam os turistas. Um casal norte-americano que assistiu a sete jogos na Copa da África do Sul, em 2010, elogiou a organização. "Nós pensamos que iria ser bem mais complicado, pois lemos sobre como a infraestrutura brasileira não era boa, mas foi tudo muito eficiente", falou Simon Hill, que estava com sua esposa Jodi. Como deixaram os filhos pequenos em casa, os dois só assistirão a três jogos no Brasil.
Do TIP, os torcedores tinham que pagar R$ 5,90 para comprar uma pulseira, a qual dava acesso ao metrô e ao ônibus circular. Do terminal até a Estação Cosme e Damião foram apenas sete minutos. Houve uma queda de energia durante o percurso, mas a interrupção durou apenas segundos. Um vendedor de amendoim pegou um pandeiro e começou a tocar enquanto o trem estava parado. O norte-americano Mario Arrueira gostou do que viu e quis comprar o instrumento. Após uma breve negociação, ele conseguiu o objeto que tanto queria por R$ 200. "Não sei se foi caro ou barato, só sei que algumas memórias não têm preço. Já paguei caro para vir ao Brasil e quero levar esse instrumento para casa", explicou, enquanto tantava criar uma melodia.
Da estação, o público era levado para os ônibus circulares, que deixava os torcedores a cerca de 1,5 quilômetro da Arena. É importante lembrar que quem optou pelo táxi provavelmente teria que pagar mais do que R$ 53,90, já que o preço só inclui a volta até uma estação de metrô.

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