Bráulio de Castro é destaque na Folha PE

Bráulio de Castro é destaque na Folha PE:

Uma vida devotada ao Carnaval

Dos seus 71 anos, 50 foram dedicados ao frevo, a partir da gravação da música "Além de mim"

27/02/2014 09:28 - Renato Contente, da Folha de Pernambuco

Marina Mahmood/Folha de Pernambuco
As composições do artista vão além do ritmo pernambucano, passando também pelo forró, samba e maracatu
Na tranquila rua Olímpio Ferreira Chaves, no bairro de Casa Caiada, em Olinda, um senhor corpulento veste um boné enquanto deita numa rede, de onde entoa versos e ritmos de outros carnavais. Quem canta é Bráulio de Castro, 71 anos, cantor e um dos poucos compositores que atualmente oxigenam o cancioneiro carnavalesco tradicional de Pernambuco. De rosto pouco conhecido entre o grande público, o artista nascido em Bom Jardim completa neste fevereiro 50 anos de carreira, celebrados com discrição em mais um período de Momo.

Ao lado da musicista Fátima de Castro - parceira não apenas na vida (são casados), mas também na arte -, Bráulio utiliza seu trabalho de compositor como ferramenta para construir carnavais. Através das músicas que compõem, os dois contribuem para alimentar a tradição de ritmos como o frevo (entre frevos-canções, de bloco e de rua), que parece ter, no Estado onde nasceu, validade apenas nos dias de folia.
Um exemplo recente da parceria do casal é "Lá vem a Ceroula", canção que ganhou o 1º lugar na categoria Frevo-Canção no Festival do Frevo da Humanidade 2013-2014, com arranjo de Edson Rodrigues e interpretação de Nonô Germano. Ainda mais recente é a canção "Cadê Perrê", composta por Bráulio e Walmir Chagas, mas defendida por Fátima, na semana passada, no Festival Abraça Brasil. Não deu outra: a canção foi contemplada com o 1º lugar na categoria Caboclinho.
Apesar dos prêmios que acumula na carreira, Bráulio acredita que, assim como outros compositores de frevo, carece de espaço no Carnaval pernambucano. "Você vê pessoas que não tem nada a ver com o Carnaval tendo um espaço que não temos. Acho que sou um dos poucos compositores de frevo que continuam produzindo. Já são mais de 350 músicas gravadas e outras tantas inéditas. Gostaria de ter um lugar para poder gravar parte delas", criticou o artista.
    Para além do frevo, Bráulio também é conhecido por compor em ritmos como forró, samba, maracatu e caboclinho. Muitas de suas letras são jocosas, repletas de segundos sentidos divertidos. Entre os destaques está a popular "Rock do Jegue" (parceria com Célio Roberto, gravada por Genival Lacerda em 1979). Quando compõe ao lado de Fátima, no entanto, prefere criar músicas mais românticas. "As músicas de brincadeiras geralmente faço só. Asmais sérias são com Fátima, como bossas, blues e sambas. É uma parceria bonita. Além de sermos casados, temos essa conexão da música em nosso sangue", afirmou.

    Marina Mahmood/Folha de Pernambuco
    Bráulio já dedicou músicas ao seu time do coração, o Santa Cruz
    O início oficial de sua carreira data de 50 anos atrás, com a gravação do frevo "Além de mim", pelo selo Verdi. Por essa época, Cyro Monteiro gravou o samba "Maria Luiza" (Bráulio/Inaldo Vilarim), também gravado pela cantora e atriz Rosa Marya. "Essa parceria com Inaldo Vilarim me marcou muito. Ele é, sem dúvidas, um dos maiores compositores de Pernambuco de todos os tempos", opinou. De discos, lançou apenas dois: "Forró no Arrôxo", nos anos 1980, e o brincante "Bráulio no Carnaval", de 1991, com arranjos do Maestro Duda. "Duda não cobrou nada por isso, fez pela amizade", recordou.

    Bráulio tentou seguir carreira artística em São Paulo, entre o anos 1960 e 80, mas não foi bem-sucedido. Não conseguia largar completamente as profissões "oficiais" - bancário e funcionário de uma agência de seguros - para entregar-se à música ("Era muito arriscado fazer isso".). Sua estada paulista, no entanto, foi essencial para que ele desenvolvesse parcerias com nomes notáveis da música brasileira, como Wilson Simonal (que gravou "30 dinheiros") e Jair Rodrigues ("Porta é pra bater").
    As composições de Bráulio também foram cantadas por Noite Ilustrada ("Veneza Brasileira", "A profecia"), Demônios da Garoa ("Violão e viola"), "Tô como o diabo gosta" (Inezita Barroso), Caju e Castanha ("A mulher do corno rico e a do corno pobre") e Flávio José ("Eu sou o forró"). A longa lista ainda inclui Fafá de Belém ("Meu bombom"), Alcione ("Desafio"), Conjunto Talismã ("Cadê Adoniran"), Claudionor Germano ("Dá licença, Recife") e Flávio José, com o hit "Eu sou o forró".
    Torcedor apaixonado pelo Santa Cruz, Bráulio já escreveu várias músicas e produziu até um CD para o time pernambucano. Intitulado "O veneno da Cobra Coral”, o disco reúne canções que enaltecem o time. Nos últimos meses, vários veículos da imprensa noticiaram o samba "Caça-Rato na Seleção", um apelo musical de Bráulio para que o técnico da Seleção de Futebol Brasileira, Luiz Felipe Scolari, escalasse o jogador Caça-Rato, do Santinha, para representar o País na Copa do Mundo. "Até agora não houve resposta de Felipão", brincou.
    RÁDIO FOLHA - Bráulio de Castro participará nesta quinta (27), às 16h, do programa "Jota Ferreira Agora", na Rádio Folha (96.7 FM).
    PRÊMIOS - Entre os prêmios conquistados, está o 1º lugar no Festival Frevança, com a música "Maracatu Quilombo", interpretada pela cantora Matilde.
    GRAVAÇÕES - Os sambas "Herói sou eu" e "A malandragem entrou em greve" fizeram sucessos com os Originais do Samba, e “A vida é pra cantar", com Wilson Simonal.

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