Gisele Bündchen, na moda do parto domiciliar
Parte das mulheres prefere ter filhos dentro de casa. Opção é restrita e pode ter riscos
Gisele Bündchen no fim da gestação da filha, que nasceu em casa
A top número 1 do planeta já havia anunciado o parto do primogênito Benjamin dentro de casa, mais especificamente na banheira. Agora.
A opção do chamado “parto domiciliar”, antes regra para mulheres camponesas ou com pouco acesso aos recursos de saúde, agora é preferência de um grupo mais escolarizado – e abastado – que, assim como Gisele, defende as técnicas naturais de dar à luz.
Segundo o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), que reúne parteiras e especialistas em parto natural de todo País, só em São Paulo acontecem mensalmente entre 10 e 50 partos domiciliares.
Em maioria, conta a bióloga Ana Cristina Duarte, uma das fundadoras do Gama, as mulheres que parem dentro de casa são de classe média alta e com muito conhecimento sobre a importância do parto natural.
As características citadas por Ana Cristina não são aleatórias. Revelam, por exemplo, alguns critérios para que o parto domiciliar não seja um parto de risco. Para fazer parte desta opção é preciso ter acesso a um pré-natal de qualidade e hoje, ao menos, três em cada dez gestantes brasileiras sequer passam por consultas clínicas durante os nove meses da gravidez.
Outra condição do parto natural e dentro de casa é o custeio. A modalidade ainda não existe no Sistema Único de Saúde (SUS), o que já exclui as futuras mães que só podem recorrer às maternidades públicas. Vale lembrar, no entanto, que os hospitais gratuitos realizam muito mais partos normais do que as entidades privadas. Enquanto no primeiro grupo o índice de cesárea é de 39% no outro a taxa sobe para 84%.
“O parto domiciliar é uma possibilidade para parte das mulheres. Entre os critérios, é preciso que o pré-natal não tenha nenhuma intercorrência, ter uma casa com água encanada e esgoto, além de morar em um raio de 20 minutos de algum hospital”, explica Ana Cristina do Gama.
Benefícios do parto normal
Fazer o parto em casa não significa que os especialistas, como médico ou enfermeiras obstetras sejam dispensados. A equipe técnica e especializada, munida de aparelhagem específica, vai à casa da mãe para promover a segurança do bebê. Em caso de qualquer problema mais grave, mãe e bebê são encaminhados às unidades de saúde e daí a importância da proximidade de um hospital da residência da mulher.
Segundo ginecologistas e obstetras, partos de gestações de risco não podem acontecer dentro de casa. Mulheres com pressão alta ou diabetes podem ter complicações sérias gestacionais. Em algumas unidades de saúde, as pacientes grávidas ficam internadas desde o quarto ou quinto mês. Bebês prematuros, por exemplo, não podem nascer por meio de um parto domiciliar.
Vale ressaltar que mesmo em um hospital é possível realizar partos normais. A preferência, inclusive, deve ser essa. O último estudo da Organização Mundial de Saúde atestou que este tipo de parto é até três vezes mais seguro do que as cesáreas realizadas sem indicação médica.
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