Só Falta essa Taça!


O Brasil olímpico, como sempre, sob pressão

(FIFA.com) Quarta-feira 25 de julho de 2012
O Brasil olímpico, como sempre, sob pressão
© AFP
Quando quer que alguém da Seleção Brasileira fala sobre o Torneio Olímpico de Futebol Masculino Londres 2012, é inevitável que uma palavra se repita ao longo da entrevista: pressão. Os brasileiros já até se acostumaram a tratar a briga por uma medalha de ouro olímpica como algo que envolve ainda mais tensão e cobrança do que aquilo que é habitual para os pentacampeões mundiais.
“Defender a Seleção é sempre uma responsabilidade enorme, e, no caso da Olimpíada, que é um torneio que o Brasil nunca conquistou, esse sentimento só cresce”, admitiu Neymar uns dias atrás, em conversa com o FIFA.com.

Pois, na antevéspera da estreia no Torneio Olímpico – diante do Egito nesta quarta-feira, no Millenium Stadium de Cardiff –, o técnico Mano Menezes teve, mais uma vez, que ouvir e responder sobre essa sombra que rodeia a sala de troféus brasileira: repleta de todo tipo de conquista, mas que em Olimpíadas se limita a duas medalhas de prata (Los Angeles 1984 e Seul 1988) e duas de bronze (Atlanta 1996 e Pequim 2008).

“Sabemos que se trata de um título que nunca vencemos, mas simplesmente não podemos conquistar essas medalhas de ouro do passado. É impossível. Então, só podemos nos concentrar em vencer esta”, esclareceu o treinador, já em Cardiff.
Pressão gera pressão
Parece ser um círculo vicioso para criar mais pressão sobre os brasileiros: ao ser uma das nações mais talentosas do mundo do futebol e nunca ter conquistado a medalha de ouro, o Brasil tende a dar uma importância obsessiva à disputa. Ao fazê-lo, escala sempre uma equipe forte e que se prepara cuidadosamente para os Jogos. O que, por sua vez, faz com que essa equipe entre no torneio como uma das favoritas. E isso, por fim, se torna ainda mais um elemento de pressão. Não que isso seja exatamente uma surpresa para Mano Menezes.

“Estamos acostumados com isso. O Brasil invariavelmente entra como um dos favoritos em todo torneio que disputa. Mas nós já entramos como favoritos e ganhamos, tanto quanto já entramos e perdemos”, ponderou o treinador. “É normal, então, que antes de o torneio começar alguns países que vivem um melhor momento sejam apontados como favoritos, casos de Espanha, Uruguai e do México, que fez uma grande preparação. Há ainda a equipe da Grã-Bretanha, que joga em casa, e oBrasil, que sempre entra nessa lista. Mas nós sabemos que esse favoritismo só significa algo antes de o torneio começar. Um exemplo objetivo de que isso não é tão importante foi a Euro 2012, em que a Holanda, vice-campeã mundial, entrou como uma das grandes forças e caiu na primeira fase. Tudo o que dissermos terá que ser confirmado na prática.”

Como se não já não houvesse elementos o bastante para fazer do Torneio Olímpico um momento crucial para o Brasil, ainda se sabe que tudo o que acontece com a Seleção, de alguma forma, é projetado para daqui a dois anos, na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. E, sem a disputa das eliminatórias, são poucas as chancesd e a equipe enfrentar torneios oficiais: esse é apenas o segundo de Mano Menezes, depois da eliminação nas quartas de final da Copa América 2011, nos pênaltis, diante do Paraguai.

“Acho que tivemos uma sequência melhor agora (na preparação para a Olimpíada) do que antes daquela Copa América, e isso vai se refletir no campo”, disse Mano, tratando o assunto da tal pressão com uma naturalidade estoica. “Quanto à cobrança, havia antes e há hoje. Ela é proporcional à importância deste cargo. Nunca tive ilusões quanto a isso.”


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