Sonegação pode ser fatal para Cachoeira
AL CAPONE NÃO FOI PRESO POR TRÁFICO DE BEBIDAS OU DE INFLUÊNCIA JUNTO A AUTORIDADES DOS ESTADOS UNIDOS NA ÉPOCA DA LEI SECA; O QUE O COLOCOU ATRÁS DAS GRADES FOI A SONEGAÇÃO. COM A QUEBRA DO SIGILO FISCAL DO BICHEIRO CARLOS CACHOEIRA, SABE-SE AGORA QUE O MÁXIMO QUE ELE JÁ PAGOU EM IR FORAM R$ 2,8 MIL NUM ANO
247 - A história é conhecida e foi imortalizada no cinema. Caçado por policiais e promotores norte-americanos durante a época da Lei Seca, o mafioso Al Capone por muito tempo logrou escapar. Só foi preso de vez, na Chicago dos anos 30, quando "Os Intocáveis" conseguiram imputar a ele o crime de sonegação tributária. Com a quebra do sigilo fiscal do bicheiro Carlos Cachoeira, dono de laboratório farmacêutico e sócio informal da construtora Delta, sabe-se agora que ele também tinha uma certa dificuldade com o Imposto de Renda. O máximo que ele pagou em Imposto de Renda foram R$ 2,8 mil num ano. E, aparentemente, nunca caiu na malha fina. Leia, abaixo, o texto de Gerson Camarotti, no G1:
IR de Cachoeira reúne baixo rendimento e empréstimos milionários
Chamou a atenção de parlamentares da CPI que tiveram acesso à declaração de imposto de renda do bicheiro Carlinhos Cachoeira a baixa contribuição para o Fisco.
No ano em que ele mais pagou imposto na pessoa física, segundo relato de parlamentares ao blog, o valor foi de R$ 2,8 mil. Nos últimos anos, o máximo de rendimentos tributáveis declarado por Cachoeira foi de R$ 30 mil.
Em 2010, o rendimento tributável foi de apenas R$ 18 mil. Nesse ano, Cachoeira contraiu empréstimo de R$ 4,4 milhões da empresa BetCapital e do cunhado Adriano Aprígio. Em anos anteriores, já havia feito empréstimo em valor superior a R$ 1 milhão.
Os empréstimos em dinheiro aparecem nas declarações de Cachoeira como contrato de mútuo. Essa é uma estratégia comum entre sociedades e seus respectivos sócios na pessoa física, para escapar do pagamento de tributos.
Além do grande volume de empréstimos, segundo informaram os parlamentares, Cachoeira guardava em casa todos os anos dinheiro em espécie. Ele chegou a declarar ter em casa R$ 1,5 milhão.
Cássio: “Imposto de Renda de Cachoeira é incompatível com o seu cartão de crédito”
Foto: Cadu Gomes
O senador Cássio Cunha Lima (PSDB/PB) declarou, nesta quarta-feira (16.05), em entrevista à TV da Liderança e diversos jornais, rádios e TVs, que a declaração do Imposto de Renda do bicheiro Carlinhos Cachoeira é completamente inconsistente e incompatível com a movimentação comprovada nos seus cartões de crédito.
“Nas declarações ele revela que sempre manteve em casa no cofre no Brasil milhões de reais. A cada ano ele renova. Começou com R$ 500 mil e chegou a declarar no seu Imposto de Renda mais de R$ 1,8 mil em casa. São movimentos atípicos, incomuns para quem tinha imposto a pagar muito baixo. Em alguns anos tinha zero de imposto a pagar. Em outros, R$ 2 mil R$ 3 mil R$ 4 mil. O que é inconsistente em relação à movimentação financeira apresentada, sobretudo nos cartões de crédito”, frisou Cássio, para em seguida complementar: “O ano que Cachoeira apresenta maior rendimento é 2002, de R$ 530 mil. Em 2003 e 2004, ele declara zero de rendimento. A partir daí começa a patamares muito baixos, que ficam entre R$ 16 mil e R$ 20 mil. Na declaração mais recente, de 2010, apresenta rendimentos tributáveis de R$ 60 mil, o que, numa conta rápida, aponta para R$ 5 mil, incompatível com a movimentação que ele fazia, sobretudo no cartão de crédito”.
Cássio revelou aos jornalistas que há indícios de ligações do bicheiro com empresas fantasmas, inclusive uma oriental, provavelmente coreana, com a qual negociou a compra e venda de uma casa em Miami (EUA). E assegurou que a CPI vai quebrar sigilos de pessoas e empresas que começam a surgir nas declarações de IR e também de empresas fantasmas, como a Alberto Pantoja e Brava, que receberam milhões de reais da Delta.
“O Carlinhos Cachoeira contraventor caiu. O que nós precisamos saber dele agora é o seu trabalho como lobista da Delta e empresário formal. Essa é a tarefa que a sociedade espera da CPI”, apontou.
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