NOITE DE FRIO



É noite enfadonha e terrível de frio.
Eu tento aquecer-me, porém não consigo.
Soprando ruidoso ouço o vento bravio,
que busca talvez o calor de um abrigo.

O frio prossegue… e com frio eu prossigo.
Não canta um só galo… Só ouço – do rio -,
as águas cantando. E, lá fora, um antigo
coqueiro farfalha, a torcer-se, sombrio.

Escuro insondável no imenso desvão
algente da noite. E a noite, erma, soturna,
parece um enorme sepulcro vazio.

O frio amplifica a tristeza noturna…
E aumenta e entristece a cruel solidão
da noite enfadonha e terrível de frio.


Dodó Félix
Bom Jardim, agosto/1963

Postar um comentário

0 Comentários